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Microbiologia e Doenças Infecciosas

PIF: A incógnita da Medicina Felina

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Peritonite Infecciosa Felina
PIF: A incógnita da medicina felina

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O que é a PIF?
A peritonite infecciosa felina (PIF) é uma doença viral e imunomediada que acomete os gatos. Essa doença é caracterizada pela infiltração de um liquido inflamatório nas cavidades corporais ou a presença de granulomas em um ou vários órgãos. As lesões granulomatosas que ocorrem no organismo se devem às tentativas do sistema imunológico em eliminar o vírus, que infecta as células de defesa que não conseguem eliminá-lo. A inflamação pode resulta na falência dos órgãos acometidos.


É causada por certas cepas de um vírus chamado Coronavírus. Existem varias cepas desse vírus variando entre si sua capacidade de virulência, mas a maioria são considerados avirulentos, o que significa que eles não causar doença. O Coronavirus mais comum nos gatos é o Coronavírus entérico felino (FCoV), que é um vírus restrito do intestino, esse vírus pode sofrer uma mutação no seu genoma dentro do organismo do animal e a partir dessa mutação o vírus passa a se chamar Vírus da peritonite infecciosa felina (VPIF). Essa alteração é que vai fazer com que a infecção progrida para a FIP clínica.

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Na maioria dos casos o animal permanece com o Coronavirus de forma assintomática com o vírus apenas no intestino sem causar sinais clínicos, o animal permanece saudável sem manifestar alterações porém eliminará o vírus no ambiente, em alguns momentos o animal infectado poderá apresentar quadro diarréia leve e transitória sem necessidade de tratamento. E na minoria dos casos são os que desenvolvem a mutação e consecutivamente desenvolvem a PIF.
Alguns fatores predisponentes ajudam na manifestação da PIF como sistema imunológico comprometido ou animais que não tenham o sistema imune completamente eficiente. Pode infectar gatos de ambos os sexos e de todas as idades porem é mais freqüente em gatos mais jovens entre três meses a três anos e raramente pode acontecer em idosos devido à estimativa de vida mais longa entre 10 – 14 anos em razão de um declínio na resposta imune relacionada com a idade. Esse vírus é altamente infeccioso e muito disseminado mais comum entre os felinos do que se imagina. Não existe vacina e possui um diagnóstico muito difícil, portanto a profilaxia é a principal forma de evitar a doença.
Classificação do vírus
O Coronavirus entérico felino (FCoV) e o vírus da peritonite infecciosa felina (VPIF) são muito parecidos que acomete todas as espécies de felídeos. Apresentam estrutura de RNA vírus envelopado, sensíveis a condições normais de temperatura e umidade (sendo inativado em 2 a 48 horas em temperatura ambiente). Já em condições de temperatura baixa, podem permanecer ativos por ate sete semanas.

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Fonte da Imagem: www.microbiologybytes.com

Fisiopatogenia da PIF

O FCoV vai sofrer uma mutação em seu genoma viral a partir dessa mutação o vírus é então denominado vírus da peritonite infecciosa felina (VPIF). O resultado da infecção é influenciado pela resposta imune do animal e por isso é considerada uma doença imunomediada. Os anticorpos são infectados com o vírus, e essas células, em seguida, transportar o vírus em todo o corpo do gato. Uma intensa reação inflamatória ocorre ao redor dos vasos nos tecidos onde essas células infectadas se localizam, muitas vezes, no abdômen, rins ou cérebro. É esta interação entre o próprio sistema imunológico e o vírus que é responsável pela doença, quanto menor a resposta, maior será a taxa de replicação viral. Uma vez que o gato desenvolve a PIF comprometendo um ou vários sistemas do corpo, a doença é progressiva e é quase sempre fatal apresentando uma mortalidade de quase 100%.

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http://patclinveterinaria.blogspot.com.br/2011/02/peritonite-infecciosa-felina.html

Epidemiologia
A PIF é uma doença de distribuição mundial extremamente comum em locais de superpopulação como abrigos e gatis. A faixa etária mais comum para os animais mais acometidos é de três meses a três anos de idade.

Como ocorre a Transmissão?

A transmissão é oral-fecal, ou seja, ocorre pela ingestão do Coronavirus presente nas fezes de gatos contaminados. O vírus é adquirido por meio do contato direto de gatos não infectados com fezes de um felino portador. Raramente ocorre transmissão por lambedura, compartilhamento de vasilhas e bebedouros. Ainda não foi comprovada a infecção via transplacentária, ou seja, da mãe para o feto ainda na vida uterina ou transmamária pela ingestão do leite materno de fêmeas infectadas.

Fatores Predisponentes

A mutação ocorre com mais frequência em animais jovens que não tenham um sistema imunológico eficiente e idosos, imunosuprimidos por outras doenças como Imunodeficiência viral felina (FIV) e a Leucemia viral felina (FeLV), fazendo com que o vírus se multiplique mais rapidamente. Animais com retroviroses, desnutridos, com alta taxa de estresse, em tratamento com uso de glicocorticoides ou pós-cirúrgico e internados, também podem adquirir a doença mais facilmente.
Devido aos hábitos de higiene os felinos estão sempre se lambendo e quanto mais animais no mesmo ambiente maior vai ser a chance de disseminação do agente, principalmente para os suscetíveis como filhotes e imunocomprometidos. Acima de seis gatos em um mesmo local já é considerada superpopulação muito comum em Gatis e abrigos e quase 100% dessa população apresenta o Coronavirus, mas também pode ocorrer em residências com poucos animais principalmente se o ambiente não tiver higiene e estrutura adequada como, por exemplo, deixar o recipiente de água e ração no chão ou próxima a caixa de areia facilitando assim a contaminação do alimento levando a infecção. Surtos não são comuns de acontecer, mas pode acontecer no caso de ter muito filhotes. Estresse também pode propiciar a infecção da PIF, pois diminui a imunidade.

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Sintomas
Os animais que não desenvolvem a doença são chamados de hospedeiros portadores.
Já nos animais que desenvolvem a doença os sintomas são variados, pois existem duas formas de PIF, a forma efusiva ou úmida e a forma não efusiva ou seca, que vai ser determinada pela resposta imunológica de cada felino acometido. Raramente podem apresentar as duas formas.
O período de incubação da doença é muito variável e difícil de determinar, significa que pode levar de semanas a alguns meses para começar a aparecer os sinais clínicos que são considerados inespecíficos, no geral os felinos apresentam febre, anorexia, perda de peso diarréia e desidratação por isso é considerada inespecífica porque pode ser confundida com muitas outras doenças.
Na forma efusiva (úmida) ocorre um processo inflamatório nos vasos gerando um acumulo de liquido na região do abdômen e ou do tórax. Esse liquido tem uma coloração amarelo-palha a âmbar, viscoso, estéril, rico em proteína, com capacidade de engrossar ao ar livre em temperatura ambiente, com celularidade variável, normalmente elevada. Os gatos com essa forma apresentam febre não responsiva aos tratamentos antibióticos, pleurite e edema na região acometida (aumento de volume decorrente do acumulo de liquido) freqüentemente na região abdominal e tórax.

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Na forma não efusiva (seca) é mais difícil o diagnostico, pois pode acometer vários órgãos e causar diversos sintomas. O animal vai apresenta granulomas disseminados e pontos de necrose em múltiplos órgãos abdominais torácicos acometendo também sistema nervoso central SNC e olhos causando anisocoria.

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Os granulomas são estruturas microscópicas compostas por diversas células que englobam o agente causador, no caso da PIF o Coronavírus, na tentativa de conter a disseminação da doença.

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Os sintomas ocorrem de acordo com o local afetado, portanto podem variar desde hepatite granulomatosa se o fígado for acometido causando icterícia (mucosas amareladas). Na maioria das vezes em que o gato apresenta icterícia esta relacionada à PIF, nefrite granulomatosa, iridociclite, intestino nodular com piogranulomas multifocais, ate mesmo cegueira quando granulomas se desenvolvem nos olhos, entre outros sintomas sempre dependendo de onde os granulomas se formarem. Pode acontecer tosse no caso dos felinos desenvolverem pneumonias.

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Quando o SNC é acometido causando encefalomielite granulomatosa o felino apresentara alterações neurológicas, como dificuldade de locomoção, tremores, incontinência fecal e urinária, mudança de comportamento e ate convulsões. Nesse caso o prognostico é ruim.
Como dito anteriormente todas as formas podem estar diversamente associada à coinfecções como a FeLV Leucemia viral felina e ou FIV Imunodeficiência viral felina.

Como é feito o Diagnostico

O diagnóstico da PIF pode ser muito difícil pelo fato do animal apresentar diferentes sintomas, que são semelhantes aos de outras doenças.
Para um diagnóstico mais preciso o veterinário deve se basear em um conjunto de informações começando pelo histórico do animal(filhote, idoso, superpopulação, se veio de abrigo), junto dos sinais clínicos e acompanhado de exames laboratoriais como hemograma, ultrasom, testes sorológicos pouco usado pois não é feito no Brasil isso acaba ficando caro e é pouco informativo só dirá se o animal teve ou não contato com o Coronavirus sem dizer se é o mutado ou não, então esse teste é inviável, teste de reação cadeia polimerase (PCR) que vai buscar o DNA do vírus, mas o diagnostico definitivo só pode ser feito através de uma biopsia ou necropsia que ira revelar o quadro lesional sob a forma de numerosos granulomas nos órgãos acometidos. É importante salientar que testes positivos para o Coronavirus não caracteriza obrigatoriamente a PIF, pois nem todo animal com este vírus terá a doença e isso pode dificultar a conclusão do diagnostico ou falsamente comprometer gatos soropositivos, mas que nunca terão PIF.
Existe Tratamento?
Infelizmente não existe tratamento eficaz por isso não tem cura o animal infectado pode viver no máximo 12 meses com PIF, a única coisa que pode ser feita pelo medico veterinário é fazer um tratamento paliativo onde não se resolve o problema, mas melhora a condição do animal, baseando-se no uso de antiinflamatórios em altas doses, quimioterápicos e antibióticos para evitar infecções secundarias. Estudos com drogas antivirais e imunomoduladores estão sendo realizados na tentativa de minimizar os efeitos adversos da PIF. Em casos de sofrimento tem indicativo de eutanásia.
Quais são as Profilaxias?
A profilaxia pode ser um desafio já que a vacina não esta atualmente disponível no Brasil apenas no exterior porem pouco utilizada, porque na PIF a produção de anticorpos é ruim por isso não protege o animal contra a PIF e se o animal já estiver infectado vai acelerar o quadro da doença, por isso não vale à pena. Não existe erradicação do Coronavirus, sendo assim as medidas preventivas, sendo a principal forma de conter a doença.
• Higiene do local sempre iniciando a limpeza onde vivem os filhotes;
• Manter a caixinha de areia sempre limpa 1 a 2 x por semana trocar a areia e lavar a caixa;
• Escolhendo areia que de preferência não grude nas patinhas;
• Uma boa noticia é que o vírus é sensível a desinfetantes comuns como o hipoclorito (água sanitária, cândida), sendo uma parte do produto e 9 partes de água e deixar imerso os utensílios dos gatos por 15 a 30 min. ex: caixa de areia, bebedouro,comedouro;
• Porem o vírus resiste muito bem há ambientes úmidos, por isso muita atenção ao fazer a limpeza do local;
• Distanciar os recipientes de água e ração da caixa de areia;
• O numero de caixa de areia é o numero de gatos mais um ex: 4 gatos 5 caixas de areia espalhadas no ambiente;
• Diminuir estresse porque diminui a imunidade;
• Isolamento dos animais novos;
• Determinação de seu status e da matriz sanitária dos reprodutores e dos felinos alojados no gatil;
• Quarentena para introduzir novos animais, sendo não recomendado introduzir novos animais em locais onde haja soropositivos.

 

Artigo criado por:

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Michelle Mendes

colunista 

Referências
LAPPIN M. R. Doenças infecciosas in. NELSON, R. W.; COUTO, C. G. Medicina interna de pequenos animais. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001. P 1339 – 1341.
MIRAILLON, Robert. et. al. Manual Elsevier de Veterinária diagnóstico e tratamento de Cães, gato e animais exóticos. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. p. 455-457.
SOUZA, Silva Silveira, Djenane. Peritonite Infecciosa Felina 2008. 31 f.. Trabalho de conclusão de curso (Licenciamento CMCPA em Medicina Veterinária) – Universidade Castelo Branco, Campo Grande, Nov. 2008.

RIBAS, Laila Massad . Peritonite infecciosa feline (PIF). Disponível em: <http://portalmedicinafelina.com.br/peritonite-infecciosa-felina-pif/>. Acesso em: 11 setembro 2014.
Associação Americana de Feline Practitioners e do Centro de Saúde Cornell Feline, Cornell University, College of Veterinary Medicine, Ithaca, New York. Disponivel em: <http://www.vet.cornell.edu/FHC/health_resources/brochure_ftp.cfm>. Acesso em: 11 setembro 2014.

About the author

Mariana Marinho

Blogueira, empreendedora e estudante de veterinária. Fundadora do Guia Veterinária e Colunista/partner do blog Coisa útil.

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3 months 4 days ago

Muito cuidado com gravetos ao brincar com seu cão!

Videos com imagem forte! ⚠

Acidente com graveto! Muito cuidado a onde vc deixa seu cachorro brincar !
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5 months 22 hours ago

Guia Veterinária updated their cover photo.

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